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Decepção Precipitada |
“A avaliação dos resultados da fé sob a ótica do egoísmo.”
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Você já viu um adolescente desiludido por causa de um namoro rompido? Ele chega a dizer: “Minha vida não faz mais sentido. Eu só quero morrer”. Diante de uma frase assim, não sabemos se choramos ou se caímos na risada. É tão cedo para tirar conclusões, mas alguns jovens fazem isso, demonstrando, assim, sua imaturidade.
O mesmo acontece na vida cristã com alguns novos convertidos, ou nem tão novos assim. Diante de uma dificuldade, pequena ou grande, esses irmãos reclamam de Deus, como se estivessem sendo traídos por ele, e questionam: “Eu não sou filho de Deus? Por quê isso está acontecendo comigo?” Em alguns casos, as pessoas chegam a assumir uma postura de “decepção espiritual”, parando até de orar e louvar ao Senhor.
Atitudes assim talvez sejam frutos de expectativas formadas a partir de uma compreensão parcial e distorcida a respeito das Escrituras e do cristianismo. Há quem pense que a “vida abundante” oferecida por Jesus (João 10.10) seja uma existência sem problemas, sem desafios, cheia de flores e sem espinhos. Acham que essa abundância seja algo primeiramente material e, sobretudo, imediato. Desta forma, invertem o projeto divino, como se Deus fosse o servo e nós, os senhores; como se o reino de Deus fosse comida e bebida, enquanto que a justiça, a paz, e a alegria seriam apenas conseqüência (Rm.14.17).
A “vida abundante” é, em primeiro lugar, um estado de plenitude espiritual. Também não se pode achar que seja instantânea para quem acaba de se converter. Será, isto sim, resultado do crescimento espiritual, obtido pelo conhecimento bíblico e pela experiência cristã. Podemos entendê-la como o “fruto do Espírito”, mencionado em Gálatas 5.22-23. São virtudes espirituais a serem cultivadas e produzidas com abundância.
As falsas decepções desaparecerão quando colocarmos um pouco de lado aquilo que queremos de Deus e procurarmos descobrir e realizar aquilo que ele quer de nós.
As questões de ordem material ficarão em segundo plano. Nenhum filho de Deus pode viver na miséria, mas todos podem passar por tribulações, provações e desafios que lhes proporcionarão aperfeiçoamento. Alguns serão materialmente ricos, enquanto que outros continuarão pobres. Contudo, nada lhes faltará. O Senhor haverá de suprir todas as nossas necessidades, de acordo com os critérios dele, e no momento em que ele julgar oportuno. Podemos pedir o que quisermos, mas precisamos estar prontos para o “sim” e para o “não”, sabendo também esperar pelo tempo certo de todas as coisas. Não fique decepcionado por antecipação. A vontade de Deus para nós é muito melhor do que a nossa própria vontade. A sociedade moderna quer tudo “para ontem”, mas o “calendário de Deus” não segue o ritmo capitalista.
Existe um exemplo bíblico de decepção precipitada. O povo de Israel saiu do Egito com destino a Canaã. Contudo, não contavam com o deserto que havia no meio, ou não pensavam que a travessia seria longa. Conseqüência: decepção e murmuração. Deus os tirou da escravidão para levá-los à terra prometida, que “mana leite e mel”, mas isso não significa que eles pudessem chegar lá no dia seguinte.
Quando se viram no deserto, sem água e sem carne, revoltaram-se contra Moisés e quiseram voltar para o Egito. Foi a pior idéia que podiam ter. O mesmo acontece com aqueles que, diante das tribulações, resolvem voltar à vida velha. Chegam a se esquecer de que eram escravos nas mãos de Faraó. Lembram-se apenas das panelas de carne e de toda a grandeza aparente do império das trevas.
Mesmo não voltando ao Egito, aqueles murmuradores prolongaram sua permanência no deserto. A viagem que deveria durar alguns dias, demorou quarenta anos. Não é este o plano de Deus para nós. Não sejamos murmuradores. Não fiquemos decepcionados por ainda não termos aquilo que esperamos. O deserto é necessário, pois não existe outro caminho para a terra prometida.
Lembremo-nos de que, apesar das dificuldades do trajeto, o Senhor está conosco. Ele nos dá o maná, a água da rocha, proteção e direção. O deserto não será a nossa morada. Estamos apenas passando por ele e, guiados pela misericórdia do Senhor, entraremos em Canaã. |